terça-feira, 13 de maio de 2008

A Fábrica de Conservas “La Rose”


No próximo sábado, dia 17 de Maio, pelas 16h00, é inaugurado o Museu de Portimão, situado na antiga fábrica de conservas “La Rose”.

O museu pretende em primeiro lugar mostrar o património histórico, etnográfico e industrial da cidade e da região, mas tem espaço e boas condições para muitas outras iniciativas (espaços para exposições diversas, auditório, oficina e laboratório de conservação e restauro, um centro de documentação/arquivo, etc.).

Trata-se de um investimento de quase 10 milhões de euros que vamos poder passar a usufruir.

No dia 17 tem ministro e presidente.
Depois passa a ter arte, cultura, etnografia e história …

As visitas durante o mês de Maio são gratuitas. Vamos aproveitar!

Entretanto, se quiserem ter uma ideia sobre o que vamos poder encontrar, vejam em MUSEU DE PORTIMÃO

quarta-feira, 7 de maio de 2008

I Ken Lee

Pois é … o inglês é um dos meus calcanhares de Aquiles.
(E como eu tenho calcanhares com fartura!!!)

Mas enfim, quando eu for grande, vou estudar e ainda hei-de conseguir cantar o “Ken Lee” como esta moça búlgara …

Vejam:

Sem legendas: Ken Lee

Com legendas: Ken Leeeeeeeeeee!!!!!


Confesso que estou a rever isto, e estou a chorar!

GRANDE PISCARRETA !!!

No Youtube estão disponíveis outras versões do Ken Lee pela mesma piscarreta, cada uma melhor que a outra (e até está disponível um vídeo com a reacção da Mariah Carey a esta interpretação do seu “Without You”).

I Ken Lee ih! Ih! Ih! Ih! Ih! Ih! ih!!!!

terça-feira, 6 de maio de 2008

Pedro Tochas

Não me recordo de ninguém que me tenha feito rir tanto, como o Pedro Tochas.

É o maior!

Entre as várias coisas em que este palhaço já se meteu, consta a publicidade à água Frize.

Para recordar, deixo aqui a referência a dois dos muitos vídeos que circulam pela net com experiências de spots publicitários que não chegaram a ser aproveitados.









Se quiserem ver outros vídeos, façam busca no Youtube ...
... e vão ao site da FRIZE (http://www.frize.pt/). Agora que eles andam com uma nova campanha publicitária (o Ri-te!), a página está melhor que nunca.
Riam-se!

Passem também pela página do Pedro Tochas. Basta clicar AQUI!

... e, já agora, não percam este vídeo do Rui Cordes, que o Pedro Tochas recomenda no seu site.
Está muito bem catado.
A sério.
Espreitem lá.
Vá lá!
Vá …

Camané II

Um blog não serve para nada?

Serve sim!

Ideiafix recebeu uma prenda!

É verdade, Ideiafix já pode escutar na íntegra o “Sempre de Mim” do Camané.

Inveja! Quem tem um blog tem muito!

Quem tem uma Mafalda tem tudo!


Obrigado Mafalda! És um amor!

sábado, 3 de maio de 2008

Camané

É politicamente correcto gostar de Camané … por isso, o moço tem lugar marcado numa série de discos como colaborador especial (o nosso feet …).

Eu também sou muito correcto … e gosto de ouvir Camané, que agora editou um novo CD, o qual chegou de imediato ao nº1 do Top Nacional de Vendas.

Afinal, somos muitos os correctos!!!!

A verdade é que o moço tem uma voz que se distingue.

Estou à espera que um dia destes alguém me ofereça este novo disco ;-) !!!! Até lá, vou ouvindo e vendo o “Sei de um rio” na net … tal como vocês podem ver e ouvir aqui:




Aliás, está também disponível no Youtube a primeira parte do documentário relativo à gravação do “Sempre de Mim”, com o grande Zé Mário Branco ao leme.

Espreitem aqui:


sexta-feira, 2 de maio de 2008

Desacordo Ortográfico

Uma crónica que costumo gostar de ler no Barlavento tem o curioso nome de “No Condado d’Abranhos” e é da autoria de Afonso Dias, alma que vi a recitar poesia num espectáculo recente («In nomine amoris», concebido e escrito por Zoran Stojanovic) e que tem ar e escrita de pessoa bem humorada.

Na crónica publicada na edição de 10 de Abril, para além de abordar outros assuntos menores [Alberto João Jardim, Jaime Gama - “o antigo Bokassa do défice democrático”, Jorge Coelho, Mota-Engil, Fernando Gomes, Galp, Pina Moura, Iberdrola, Armando vara, Millenium, o Iva, a Esmeralda (esta sim mesmo menor)], Afonso Dias escreveu sobre o “acordo ortográfico”.

Entre tanto que já vi escrito e dito sobre este desacordo, gostei do que li “No Condado d’Abranhos” Por isso, peço autorização para aqui o reproduzir.

Estou autorizado?! Obrigado grande Afonso Dias!

Pois cá vai:

«Ah é verdade!... O acordo ortográfico. Serve para quê? Será para aliviar alguma má consciência imperial? Para pôr os timorenses, os goeses ou os macaenses a falar ou a escrever em português, coisa que não acontecerá, de todo, daqui a, no máximo, dez anos? Para diminuir o peso do crioulo no falar e no escrever cabo-verdiano? Para quê? A verdade é que, à parte o Brasil – que ainda não conseguiu impor que lhe escrevam o nome com “s”. Todo o mundo que fala português escreve Brazil – à parte o Brasil, dizia, todos os falantes e escreventes da língua portuguesa fazem-no em português de Portugal. Com as minúcias e particularidades regionais. Com a criatividade que fabrica palavras e entendimentos. Fuck! … (ou será Fuk?)»
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Se não gostas do “acordo ortográfico” e queres assinar a petição encabeçada por Vasco Graça Moura contra o dito, vai ao:
MANIFESTO EM DEFESA DA LÍNGUA PORTUGUESA

"Sprite Girls"

Tal como prometido, cá ficam …

... as "Sprite Girls" ...
Giras!

quarta-feira, 30 de abril de 2008

Halterofilista

Este resumo não está disponível. Clique aqui para ver a mensagem.

terça-feira, 29 de abril de 2008

Indeks.pt HomePage


Com a facilidade de “googlar” e conseguir de imediato o endereço de qualquer página que se pretenda, quase que já não é necessário aquele armazém de favoritos que todos preservamos nos nossos computadores (ou on-line, como agora é moda, para os podermos usar em qualquer máquina!).

Ainda assim, às vezes fazem falta. A net fornece várias páginas com listagens de favoritos, uns deles temáticos (p. ex. jornais – conhecem o http://www.indekx.com/ ou o http://www.newseum.org/todaysfrontpages/flash/), outros gerais, como p. ex.:

- http://www.paginainicial.com.pt/
-
http://www.linktotal.co.pt/
-
http://www.poplink.com.br/indexalt1280.htm

Este post serve para revelar um outro site que me foi anunciado, o qual tem o mesmo objectivo.

Achei útil, bastante abrangente, já utilizei para navegar numa altura em que não sabia por onde ir, e por isso partilho aqui o Indeks.pt HomePage, onde poderão aceder em:

- http://www.indeks.pt/

domingo, 27 de abril de 2008

Conto Rural

Um homem entra em casa com uma ovelha nos braços. A mulher, deitada na cama, está a ler um livro.

Diz o homem:
- Olha amor esta é a vaca a que me atiro quando te dói a cabeça.

Diz a mulher:
- Se não fosses parvo verias que isso é uma ovelha e não uma vaca.

O homem sorri e responde:
- E tu se não fosses tão bruta verias que estou a falar com a ovelha e não contigo!

«Biel Ballester Trio»


Recentemente tive o privilégio de ver mais um espectáculo formidável:
- O grupo musical «Biel Ballester Trio».

Trata-se de uma formação musical de Barcelona que segue a tradição do chamado «Jazz Manouche», ou seja, dos ciganos de França e da Europa Central. Este estilo foi celebrizado pelo guitarrista francês Django Reinhardt e começou por ser uma mistura do bal-musette parisiense com as melodias tradicionais ciganas. A improvisação, um dos traços identificativos do jazz, fez o resto.

Mais do que exemplares execuções de temas de Django, os «Biel Ballester Trio» mostraram um repertório original que prendeu e encantou quem os pôde ver e ouvir.

A formação é composta pelos músicos:
- Biel Ballester - guitarra a solo, fabuloso, designadamente a demonstrar as dificuldades que Django Reinhardt teria para tocar a guitarra apenas com dois dedos na mão esquerda, depois do acidente que sofreu, e exemplar na comunicação com o público e com as explicações que foi dando tema a tema;
- Leandro Hipauca - argentino, no contrabaixo (se é que aquele objecto estranho era um contrabaixo!); e
- Graci Pedro - na guitarra rítmica (e muito me admira que quem, como ele, toca "Jazz Manouches", não fique com reumático naquelas mãos, tal o esforço para manter aquele ritmo!)


Quem quiser saber mais basta ir a:
http://www.bielballestertrio.com/.

Tanto quanto sei, os «Biel Ballester Trio» ainda só editaram um disco, que foi gravado ao vivo num programa de rádio da estação radiofónica inglesa BBC, numa oportunidade que surgiu no seguimento de diversos concertos que os «Biel Ballester Trio» deram em Londres.



Mas existem temas da banda em várias colectâneas. Vejam por exemplo aqui.

A fama do trio já chegou aos EUA, tendo o grupo sido contactado pelo produtor do mais recente filme do realizador Woody Allen, que se mostrou interessado em incluir dois temas da banda naquela obra cinematográfica.

Quem os viu e ouviu, compreende facilmente a opção de Woody Allen, conhecido por ser um apreciador e intérprete de bom jazz …

… que venha o filme!

sexta-feira, 25 de abril de 2008

Grândola, Vila Morena!




Experimentem perder (quero dizer: GANHAR!) um pouco do vosso tempo escutando umas músicas do Zeca Afonso e vejam como faziam sentido e de alguma forma se mantêm actuais.

Podem escutar aqui: GRANDE ZECA

Para ouvir as canções, seleccionem em «Discografia» (coluna do meio) o que pretendem, e na coluna da direita, abaixo da capa do álbum, vão aparecendo as canções. Ouve-se a que se quiser, através do «dispositivo de som» (seta de «play», setas de selecção para trás e para a frente).




Oiçam, que ainda não voltou a ser proibido!

"25 de Abril"

Sabe bem ouvir as palavras "Democracia" e "Liberdade".

O primeiro-ministro disse hoje que “a Democracia está sólida e muito responsável”.

Mas os tempos justificam a festa … e a memória sobre o que foi a "Revolução".

Recordemos, pois, aqueles que tiveram a coragem de lutar contra o regime instalado.

Aqui fica a minha singela homenagem a um deles!


Combóios II

Por falar em comboios, dêem lá uma voltinha no
TGV Madrid / Barcelona

Aqui : RENFE

E vejam as diferenças com a fantástica "Linha do Tua", que os teimosos insistem em querer acabar.
Por exemplo, no seguinte vídeo caseiro:



BOAS VIAGENS!

Combóios



Gosto de comboios. Pode parecer um lugar comum porque todos gostamos de comboios pois a figura faz parte do imaginário de muitos. Todos detestamos a CP, por causa dos teimosos atrasos, todos apreciamos um comboio antigo, todos gostamos de um passeio de comboio e todos ficamos meses, anos sem andar de comboio. O que esperamos?

Para além de gostar de comboios, gosto de estações de comboios. Hoje já não têm aquele aroma a carvão mas continua no ar o cheiro ao alcatrão que protege as solipas. Mas a atmosfera que envolve uma estação de comboios não se descreve. As pequenas (que não sejam simples apeadeiros) costumavam ser espartanas, mas muitas delas mantinham admiráveis painéis de azulejos com motivos locais, ou com a indicação do nome da estação. O tempo e a falta de cuidado levaram à destruição e à substituição de muitas dessa estações. Uma pena.

Quanto às grandes estações, foram-se adaptando aos tempos, mas continuam com aquela atmosfera típica que as distingue de quaisquer outros lugares. Não me refiro às enormes estações mundiais que nunca tive o prazer de visitar (sou moço que não tive oportunidade de experimentar essa coisa fantástica do inter-rail…), mas cujo ambiente nos é familiar por serem tema de filmes e livros que nos ficam na memória. Estações que vivem dia e noite, grandes, enormes, febris. Gare du Nord, Austerlitz, Termini, Atocha e tantas outras estações centrais como a nossa Santa Apolónia, também ela com uma vida digna de um qualquer romance.

Eu ainda sou do tempo do comboio a vapor, das locomotivas a carvão, da sua substituição por locomotoras dependentes do petróleo, e da sua evolução para a electrificação. Os comboios (qualquer dia ainda mais esquecidos com essa coisa dos TGVs) evoluíram, mas aquele cheiro mineral das estações permanece lá, como se por ali continuasse a passar o antigo comboio a vapor.

Tudo isto porque me recordei do velho comboio que nos meus tempos de liceu me levava à escola na velha Linha do Vale do Vouga. A minha infância não dava um romance, mas aquela linha, os comboios, o passe e a falta dele, o “pica-bilhetes” e o seu alicate que tantas vezes me martelou a cabeça, o relógio da estação, os maquinistas, os agulheiros, o chefe da estação, aquele apito e o pouca-terra, pouca-terra, pouca-terra arrastado, merecem que os recorde. Na falta de outro local, lembro-os aqui.

Há uns tempos voltei àquele local distante e lá fui visitar a estação ferroviária que durante dois anos me acolheu. Foi um recuar no tempo que me trouxe aquela melancolia típica dos idosos(!), difícil, muito difícil de descrever. Os carris, ainda brilhantes, continuam lá, o resto, dá pena. Eu estou velho, mas as estações dos nossos comboios ainda estão mais. E se não é possível restaurar o corpo humano, não há razão válida para não recuperar o património das nossas estações de comboios, mesmo as pequenas, como aquela que me acolheu e que ali está em perfeita decadência. Porquê?




segunda-feira, 21 de abril de 2008

Alberto João Jardim III


Mas o homem não arrasa só as instituições. Para acabar este apanhado de frases célebres de AJJ, deixo aqui uma recolha do jornal “Sexta” (ed. de 14.03.2008) com uma lista de pérolas que vimos e ouvimos AJJ dizer e (ou) escrever sobre diversas figuras públicas:

- “O Dr. Almeida Santos ou bebeu ou está a ficar senil.”

- Referindo-se a António Campos: “O senhor Campos, dito vaca louca (…) é quanto à Madeira que a loucura bovina do dito mais se inflaciona.”

- António Guterres “mafioso”, “aldrabão”, “fariseu e caloteiro”, “está tonto e em termos políticos na Idade Média.”

- Arons de Carvalho “fauno da esquerda cabotina.”

- Sobre Cavaco Silva: “O comportamento do sr. Silva é causa de expulsão do partido.”

- “A delinquente socialista Edite Estrela fez mais uma das sua peixeiradas.”

- Jaime “Gama é um Mussolini”. “Afinal não há só um tonto no PS, mas vários.”

- José Sócrates “tem obsessões com a Madeira que indiciam já um aspecto doentio. Quem está doente, trata-se.”

- Paulo Portas é “injusto, hipócrita e desleal.”

- Rui Machete “fundamentalista e reaccionário.”

- Vicente Jorge Silva “traidor à Madeira”, “um pobre de espírito”.

- “Provocações arruaceiras do comunista Vital Moreira, hoje refugiado do PS, em acasalamento vergonhoso de oportunismo.”

- “Não leio essas merdas” de José Saramago.

- “O inefável Mário Soares é choné”. “Dada a provecta idade do cavalheiro, resta denominá-lo de aldrabão reincidente e desprezá-lo.”

- Miguel Sousa Tavares “defeca baba e ranho no socialista PÚBLICO.”





Enfim, verdadeiro material de antologia!!!!




... e já chega de AJJ …

sexta-feira, 18 de abril de 2008

Alberto João Jardim II

“Bodega da Constituição”, “manta incoerente, destrambelhada de regulamentos para tudo”.

O Tribunal Constitucional é “a bizantinice do nosso sistema constitucional”.

“A Justiça em Portugal é uma autêntica bandalheira”.

A Comissão Nacional de Eleições é “a bufaria, a nova PIDE”.

O Ministro da República é “o cinto de castidade da autonomia”.

E no uso da sua melhor linguagem e com pleno respeito pelas pessoas e instituições, AJJ referiu um dia:
“Estou-me a cagar para Lisboa. Quero que a Assembleia da República se foda”.

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Logo que possível, seguem-se mais umas frases célebres (e boas!!!!!) de AJJ …

terça-feira, 15 de abril de 2008

Alberto João no seu Jardim




O presidente do governo regional da Madeira, Alberto João Jardim, defendeu este mês (Abril de 2008) a decisão de não realizar uma sessão solene na Assembleia Legislativa durante a visita do Presidente da República à ilha da Madeira.

"Eu acho bem não haver uma sessão solene, acho que era dar uma péssima imagem da Madeira mostrar o bando de loucos que está dentro da Assembleia Legislativa", disse, referindo-se a deputados da Oposição, como "o fascista do PND, o padre Egdar (PCP)" e "aqueles tipos do PS".

"Acho que isso era dar uma imagem péssima da Madeira e ia ter repercussões negativas no turismo e na própria qualidade do ambiente", acrescentou à chegada à Região de Palma de Maiorca onde participou em reuniões. "Eu cá não apresento aquela gente a ninguém", reforçou.

Ora, cá temos mais uma frase para o álbum de Alberto João Jardim.

Para divertir (convenhamos que o homem é cómico!) vamos recordar algumas das pérolas que Alberto João Jardim disse em alturas anteriores:

Por exemplo, já o vimos brindar a oposição regional de “eleitorado do cachorro”, "abutres”, "bando de canalhas” e “energúmenos”

Referindo-se aos jornalistas do continente, disse um dia: “bastardos, para não lhes chamar filhos da puta”.

Referindo-se à TVI: “Para mim é papel higiénico”.

O falecido “INDEPENDENTE” era apodado de “jornalismo energúmeno”, a “folheca” EXPRESSO de “pasquim do Balsemão” e o DIÁRIO DE NOTÍCIAS de “panfleto político diário”.

Em breve seguem-se novas recolhas …

domingo, 6 de abril de 2008

Uma forma original de vender ...


Tiro o chapéu a quem sabe fazer sites assim.

Espreitem lá em:

http://www.arturion.net/hemamirror/

sábado, 5 de abril de 2008

José Luís Peixoto


O moço tocou guitarra eléctrica numa banda hardcore punk. Coisa boa! Li uma crónica/reportagem em que ele dizia: “às vezes tenho a sensação de que ninguém leria os meus livros se soubessem que estava a ouvir música tão pesada quando os escrevi”. Pois!

Acabei há dias de ler o “Cemitério de pianos”. O título foi bem catado e a história, que tem na base a maratona de Estocolmo, onde Francisco Lázaro faleceu em 1912, também promete. Prometia! O autor descarta-se do romance histórico e converte a coisa numa espécie de prosa poética mastigada.

O livro lê-se. E a prova disso é que eu cheguei ao fim, e não é raro eu deixar livros a meio. Mas que fiquei com uma sensação estranha ao ler e ao acabar, lá isso fiquei. O homem inova na linguagem, na sintaxe e na pontuação: muito: muito mesmo: do princípio ao fim: pois: garanto: leiam,

Mas o livro tem várias outras coisas estranhas. Coisas que devem ter tido origem e causa no ritmo e no som pesado que estava a entrar pelos ouvidos do Zé Luís.

Vejam por exemplo esta (pág. 192):
“Sobe a cama, um monte de páginas rasgadas e de capas rasgadas, títulos: sonhos de, paixão casamento na, primavera as chamas do coração mais, forte do que o preconceito vitória, do destino apaixonado pelo homem, certo rapariga e mulher amar pela primeira, vez o desconhe, cido irresistível flo, res demasia, do tarde pa, ra além do, desejo so, rriso c, rue, l am, a nhec, er de e, mo, ç, õe, s”.

Uma pessoa até desconfia que foi erro da tipografia. Mas não, é arte literária!

É engraçado que na contra-capa do livro consta um comentário de Manuel Vázquez Montalbán que, referindo-se a José Luís Peixoto diz: “Um valor seguro da literatura portuguesa, com grande sentido de linguagem poética e grande domínio da língua portuguesa”. Pois é. Domínio total. E como o Vázquez Montalbán deve saber de língua portuguesa!!!! … des, conhe, cido irr, es, istível …

É a arte!

No artigo “o que cai dos dias” no Jornal do Barlavento de 13 de Março de 2008, referindo-se à recentemente falecida Maria Gabriela Llansol, João Ventura escreveu: «moradas quase impenetráveis de uma escrita que oscila entre o exprimível e o inexprimível, criando um efeito de estranheza ou mesmo de ilegibilidade a quem ousa atravessar o umbral de uma textualidade que luta contra a narratividade convencional, integrando-a através de uma “escrita laboratório” numa nova ordem discursiva».

Um dia destes alguém vai dizer isto do Peixoto …

A Xana é que tem razão:
“se tivesse que definir o José Luís Peixoto numa palavra”,
“diria que é uma espécie de … Appeiron
”.