sexta-feira, 27 de setembro de 2019

Moçoilas (... e o velho GAC)




Estas “Moçoilas” cantam, normalmente à capela, músicas tradicionais do Algarve, sobretudo da Serra do Caldeirão. 
Por vezes, fazem algumas incursões ao Alentejo e à raia de Espanha... e também cantam e encantam com interessantes memórias.

Oiçam esta …

Senhores,
sou mulher de trabalho,
e falo com poucas maneiras,
porque as maneiras,
são como a luva que calça o ladrão.

Ás vezes,
eu ponho-me a pensar,
na vida das trabalhadeiras,
e nas canseiras,
com que ganhamos a fome e o pão.


Já agora, e como mera curiosidade, este poema, que as Moçoilas não cantam na íntegra, continuava assim quando no distante período revolucionário era cantado pelo Grupo de Ação Cultural mais conhecido por GAC:

Há tanta gente como eu,
tantos que pensam como eu,
e a minoria que nos rouba e mente,
são os burgueses que mandam na gente.

Cravos, gravatas e bonés,
nunca vi tantos rapa-pés,
enquanto for o burguês a mandar,
é o fascismo que vai regressar.

Senhores,
sou mulher de trabalho,
e falo paras as trabalhadeiras,
sem as maneiras,
dos democratas da governação.

Ás vezes,
cheguei a acreditar,
que a nova democracia,
acabaria,
com o fascismo e a exploração.

Mas se isto assim continuar,
com os patrões a comandar,
o desemprego e a carestia,
são os canhões que nos querem matar.

E enquanto nos dizem para votar,
já está o burguês a preparar,
outro fascismo de cara mudada,
enquanto a gente anda assim enganada.

Senhores,
sou mulher de trabalho,
estou farta dessas brincadeiras,
são só maneiras,
de nos prenderem com outro cangaço.

Ás vezes,
eu ponho-me a falar,
e digo às minhas companheiras,
outras maneiras,
de nos unirmos para dar mais um passo.

Vamos lutar e sanear,
vamos ser nós a comandar,
com esta luta por um mundo novo,
e os operários à frente a guiar.

E há tanta gente para lutar,
pela democracia popular,
que não há falsos amigos do povo,
que nos impeçam de um dia ganhar.

E há tanta gente para lutar,
pela democracia popular,
que não há falsos amigos do povo,
que nos impeçam de um dia ganhar.

Escutemos:


quinta-feira, 26 de setembro de 2019

Sean Riley






Quando o Afonso se disfarça de Sean Riley







quarta-feira, 25 de setembro de 2019

“823 Nadar nú”


Fui ver o Ivo Canelas no seu fantástico monólogo “Todas as Coisas Maravilhosas”.


Logo à entrada fui premiado com um misterioso papel que o Ivo me entregou cujo estranho conteúdo era:
823  
Nadar nú

A peça de teatro continua por aí em exibição, recomendo-a, pelo que não vou acrescentar nada mais para que vão lá ver o Ivo e a relevância de tão enigmática mensagem.

A sério, vão!



Sucede que um dos momentos altos da peça passa por esta música:

“Road To Joy” dos Bright Eyes.


“Road To Joy”, que o Conor Oberst compôs para o álbum “I'm Wide Awake, It's Morning” reza  assim:

The sun came up with no conclusions
Flowers sleepin' in their beds
The city cemetary's hummin'
I'm wide awake, its mornin'

I have my drugs, I have my woman
they keep away my loneliness
My parents, they have their religion
But sleep in seperate houses

I read the body count out of the paper
And now its written all over my face
No one ever plans to sleep out in the gutter
Sometimes thats just the most comfortable place

So I'm drinkin, breathin, writin, singin
Every day I'm on the clock
My mind races with all my longings
But can't keep up with what I got

And so I hope I dont sound too ungratefull
Well, history gave modern man
A telephone to talk to strangers
Machine guns and a camera lense

So when you're asked to fight a war thats over nothing
Its best to join the side thats gonna win
No ones sure how all of this got started
But we're gonna make 'em God damn certain how its gonna end
Oh yah we will, oh yah we will!

Well I could have been a famous singer
If I had some one else's voice
But failures always sounded better
Let's fuck it up boys, make some noise!

The sun came up with no conclusions
Flowers sleepin' in their beds
The city cemetary's hummin'
I'm wide awake, its mornin'!

“Road To Joy” (Estrada para a Diversão) pode ter a seguinte tradução (que poderei melhorar se acharem que não é bem isto …)

O sol nasceu sem conclusões
Flores dormindo nas suas camas
O cemitério da cidade está zumbindo
Eu estou bem acordado, é manhã

Eu tenho as minhas drogas, eu tenho a minha mulher
Que mantêm a minha solidão bem longe
Os meus pais têm a sua religião
Mas dormem em casas separadas

Eu li a contagem dos corpos no jornal
Agora está escrito em todo o meu rosto
Ninguém planeia dormir na sarjeta
Mas às vezes é o lugar mais confortável

Então eu estou bebendo, respirando, escrevendo, cantando
Todos os dias eu sou pontual
Minha mente corre com todos meus desejos
Mas não pode manter o ritmo do que eu tenho

E espero que eu não pareça muito ingrato
Com o que a história deu ao homem moderno
Um telefone para falar com estranhos
Metralhadoras e objetivas

Então quando tu pediste para lutar numa guerra baseada em nada
É melhor unir-me ao lado que vai vencer
Ninguém tem a certeza de como tudo isto começou
Mas nós vamos fazê-los ter a maldita certeza de como isto vai terminar
Oh sim, nós vamos, oh sim nós vamos!!

Bem, eu poderia ter sido um cantor famoso
Se eu tivesse a voz de outra pessoa
Mas o fracasso sempre soa melhor
Vamos foder isto tudo rapazes, façam barulho!

O sol nasceu sem conclusões
Flores dormindo nas suas camas
O cemitério da cidade está zumbindo
Eu estou bem acordado, é manhã

Já agora … já viram o Ivo Canelas a cantar?
Ele é mais conhecido pelos seus papeis no cinema´, no teatro e nalgumas séries em papéis marcantes e intensos, como estes:

Mas recordo-o no papel de Xavier na série “Filhos do Rock” onde, a determinada altura, cantou para a sua amada e maltratada Simone. Alguém se lembra disto?

Para ouvir o Xavier cantar basta verem a partir do minuto 2:50:


O Ivo toca tão mal como eu … mas canta bem melhor!

domingo, 22 de setembro de 2019

O Tim Bernardes e Ela



Quando acorda olha para o lado
Se veste bonita pra ninguém
Chora escondida no banheiro
Pras amigas finge que está bem
Mas eu vejo
Eu vejo

Acha que precisa ser durona
Não dá espaço para a dor passar
Tem um grito preso na garganta
Que não está deixando ela falar
Mas eu ouço
Eu ouço

Quase como que anestesiada
Vai deixando a vida carregar
Ela sentiu mais do que aguentava
Não quer sentir nada nunca mais
Mas eu sinto
Eu sinto

Qualquer um que encontra ela na rua
Vê que alguma coisa se apagou
Ela está ficando diferente
Acho que ninguém a avisou
E eu digo
Eu digo



Foto: Jorge Gomes/CML     


sexta-feira, 20 de setembro de 2019

Atitudi … A A A A A A A Atitudi!!!!!!

Bom dia
Gostava de m'apresentar
Sou o General Zé
E vim falar contra o estabelecimento
Por uma menta-lidade
E por uma grandessíssima atitudi
Atitudi
Atitudi
Atitudi
A-A-A-A-A-Atitudi













Lentidão no coração
O sistema é um problema
Radical horizontal
Secura na agricultura
Assassina Catarina
Injustiça da cortiça
Sacrifício no comício
À torreira da soleira
Faz chichi no javali
Compota de bolota
Atitudi
Atitudi
A-A-A-A-A-Atitudi













Quem não come passa fome
Há mais mágoa do que água
CEE dá cá o pé
Criminoso andrajoso
Esquecimento isolamento
Lixeira da Vidigueira
Atitudi
Atitudi
A-A-A-A-A-Atitudi
Atitudi
Atitudi
É por trás é pela frente
É de todas as maneras
Ai
O melhor é começar do princípio
Que é para falarmos mesmo a sério
Atitudi
Atitudi
Atitudi
A-A-A-A-A-Atitudi













Lentidão no coração
O sistema é um problema
Radical horizontal
Secura na agricultura
Assassina Catarina
Injustiça da cortiça
Sacrifício no comício
À torreira da soleira
Faz chichi o javali
Há compota de bolota
Quem não come passa fome
Atitudi
Atitudi
Atitudi
Atitudi
Atitudi
Atitudi
A-A-A-A-A-Atitudi



Como eu estava dizendo em forma de escrita
Queria deixar um beijo para a minha mãe
Porque se não fosse ela eu teria sido um grandessíssimo artista
Obrigado mãezinha
Atitudi
Atitudi
Atitudi
Atitudi
Atitudi


... e ao vivo ...


quinta-feira, 19 de setembro de 2019

Quero é viver






Quando tanto se fala do António Variações, deixo aqui este já batido desvio artístico deste moço que é um dos nossos grandes nomes do fado.

Vou viver
até quando eu não sei
que me importa o que serei
quero é viver

Amanhã, espero sempre um amanhã
e acredito que será
mais um prazer

e a vida é sempre uma curiosidade
que me desperta com a idade
interessa-me o que está para vir
a vida em mim é sempre uma certeza
que nasce da minha riqueza
do meu prazer em descobrir

encontrar, renovar, vou fugir ou repetir

vou viver,
até quando, eu não sei
que me importa o que serei
quero é viver
amanhã, espero sempre um amanhã
e acredito que será mais um prazer



Mas o Camané é, mais que tudo (e este tudo vai sendo muito e diverso ...) FADO…
E, quando um poema de Pedro Homem de Melo se une com uma música de Alain Oulman, dá nisto. Um hino numa meritória voz.

Sei de um rio …
Sei de um rio
Em que as únicas estrelas
Nele, sempre debruçadas
São as luzes da cidade
Sei de um rio…
Sei de um rio
Rio onde a própria mentira
Tem o sabor da verdade
Sei de um rio
Meu amor, dá-me os teus lábios!
Dá-me os lábios desse rio
Que nasceu na minha sede!
Mas o sonho continua…
E a minha boca (até quando?)
Ao separar-se da tua
Vai repetindo e lembrando
"- Sei de um rio…
Sei de um rio…"
Sei de um rio…
Ai!
Até quando?


terça-feira, 17 de setembro de 2019

Tanto espaço






Não sei muito bem o que digo quando digo que gosto de “jazz”.
Mas sim, gosto de “jazz” …
Há quem não goste, deteste.
Mas não acredito que haja alguém, um único ser humano, UM … que depois de ouvir este hino do Mário Laginha Trio, consiga dizer que não gosta.
O tal “jazz” que me apaixona também é isto …
Deliciem-se …


segunda-feira, 16 de setembro de 2019

Bailando



Yo adivino el parpadeo
De las luces que a lo lejos,
Van marcando mi retorno.
Son las mismas que alumbraron,
Con sus pálidos reflejos,
Hondas horas de dolor.
Y aunque no quise el regreso,
Siempre se vuelve al primer amor.
La quieta calle donde el eco dijo
"Tuya es su vida, tuyo es su querer",
Bajo el burlón mirar de las estrellas
Que con indiferencia hoy me ven volver.

Volver,
Con la frente marchita,
Las nieves del tiempo
Platearon mi sien.
Sentir, que es un soplo la vida,
Que veinte años no es nada,
Que febril la mirada
Errante en las sombras
Te busca y te nombra.
Vivir,
Con el alma aferrada
A un dulce recuerdo,
Que lloro otra vez.

Tengo miedo del encuentro
Con el pasado que vuelve
A enfrentarse con mi vida.
Tengo miedo de las noches
Que, pobladas de recuerdos,
Encadenan mi soñar.
Pero el viajero que huye,
Tarde o temprano detiene su andar.
Y aunque el olvido que todo lo destruye,
Haya matado mi vieja ilusión,
Guarda escondida una esperanza humilde,
Que es toda la fortuna de mi corazón.



A imagem é da bailaora Maria Jerónimo (fotografada em Lagos a bailar com os "Típicos” - flamenco cintage), no XVIII Festival Flamenco, em 13 de setembro de 2019).
O vídeo é da fabulosa Estrella Morente a cantar "Volver".