domingo, 8 de novembro de 2015

Os amigos do Quasimodo


Gárgula.


Por dentro a chuva que a incha, por fora a pedra misteriosa
que a mantém suspensa.
E a boca demoníaca do prodígio despeja-se
no caos.






Esse animal erguido ao trono de uma estrela,
que se debruça para onde
escureço. Pelos flancos construo
a criatura. Onde corre o arrepio, das espáduas
para o fundo, com força atenta. Construo
aquela massa de tetas
e unhas, pela espinha, rosas abertas das guelras,
umbigo,
mandíbulas. Até ao centro da sua
árdua talha de estrela.






Seu buraco de água na minha boca.
E construindo falo.
Sou lírico, medonho.




Consagro-a no banho baptismal de um poema.
Inauguro.
Fora e dentro inauguro o nome de que morro.


Herberto Helder - Le poème continu


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1 comentário:

Milou disse...

Ideiafix, este teu post é um "vintage"! Adoro!!!