sábado, 4 de março de 2023
Sara Correia ... porquê do fado?
sexta-feira, 20 de janeiro de 2023
What’s in a name ...
Pergunto: o que há num nome?
De que espessura é feito se atendido,
que guerras o amparam,
paralelas?
Linhagens, chãos servis,
raças domadas por algumas sílabas,
alicerces da história nas leis que se forjaram
a fogo e labareda?
Extirpado o nome, ficará o amor,
ficarás tu e eu – mesmo na morte,
mesmo que em mito só
E mesmo o mito (escuta!),
a nossa história breve
que alguns lerão como matéria inerte,
ficará para o sempre do humano
E outros
o hão-de sempre recolher,
quando o seu século dele carecer
E, meu amor, força maior de mim,
seremos para eles como a rosa –
Não, como o seu perfume:
Ingovernado livre
Poema “What’s in a name”, no livro com o mesmo nome, de Ana
Luísa Amaral
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Pega em mim ...
Márcia in “As estradas são para ir”
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Planta alta e trigueira ...
As plantas acenavam ao vento de agosto, nas suas hastes fina e verdes. E disse-me a mais faladora de todas, alta e trigueira:
– Dás-me dez anos da tua vida?
Eu só tinha cinco anos, pus-me a contar pelos dedos, vi que
ia ficar com muito pouco.
– Dou – disse eu.
E ainda hoje, que nunca mais soube de mim, vou com o vento,
balouçando. E agosto é todo o ano para mim.
Ruy Belo poema “Planta alta e trigueira”, in “Homem de
Palavra[s]”
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domingo, 15 de janeiro de 2023
Trouxe-te um poema...
O PÃO
Há pessoas que amam
com os dedos todos sobre a mesa.
Aquecem o pão com o suor do rosto
e quando as perdemos estão sempre
ao nosso lado.
Por enquanto não nos tocam:
a lua encontra o pão caiado que comemos
enquanto o riso das promessas destila
na solidão da erva.
Estas pessoas são o chão
onde erguemos o sol que nos falhou os dedos
e pôs um fruto negro no lugar do coração.~
Estas pessoas são o chão
que não precisa de voar.
Rui Costa, Mike Tyson Para Principiantes
quarta-feira, 14 de dezembro de 2022
22ª Corrida Fotográfica de Portimão – Edição Online
Apesar de em 2022 a Corrida Fotográfica de Portimão ter voltado aos seus moldes de maratona presencial, na sequência das experiências realizadas durante o período de pandemia, este ano mantiveram a realização de uma corrida online, a que chamaram Edição Especial – “Vida”, em que foi proposto aos concorrentes do mundo inteiro que fotografassem os seguintes quatro temas:
Tema 1: “A Incerteza da Vida”
Tema 2: “Resistência, Resiliência e Sobrevivência”
Tema 3: “ Será isto que me faz feliz?”
Tema 4: “Um Frágil Património”
Foi com estas imagens que, nesta corrida especial, consegui o Prémio Especial do Júri:
22ª Corrida Fotográfica de Portimão
Cá estou de novo para publicar as imagens que me permitiram ganhar mais um 1º prémio neste evento fotográfico, que, depois da pandemia, voltou finalmente ao velho formato, com a presença dos fotógrafos a percorrer os vários passos da corrida para fotografar os diversos temas propostos que este ano foram:
Tema 1: “Entre o rio e a terra firme”
Tema 2: “Vidas de trabalho”
Tema 3: “Ruas que contam histórias”
Tema 4: “Um património natural”
Tema 5: “Do antigo se faz novo”
Tema 6: “À descoberta do interior”
Tema 7: “Museu em festa”
Tema 8: “Ao entardecer”
Então este ano foi assim:
quinta-feira, 12 de maio de 2022
... Lisboa ...
Lisboa chora dentro de Lisboa
Lisboa tem palácios sentinelas.
E fecham-se janelas quando voa
nas praças de Lisboa — branca e rota
a blusa de seu povo — essa gaivota.
Lisboa tem casernas catedrais
museus cadeias donos muito velhos
palavras de joelhos tribunais.
Parada sobre o cais olhando as águas
Lisboa é triste assim cheia de mágoas.
Lisboa tem o sol crucificado
nas armas que em Lisboa estão voltadas
contra as mãos desarmadas — povo armado
de vento revoltado violas astros
— meu povo que ninguém verá de rastos.
Lisboa tem o Tejo tem veleiros
e dentro das prisões tem velas rios
dentro das mãos navios prisioneiros
ai olhos marinheiros — mar aberto
— com Lisboa tão longe em Lisboa tão perto.
Lisboa é uma palavra dolorosa
Lisboa são seis letras proibidas
seis gaivotas feridas rosa a rosa
Lisboa a desditosa desfolhada
palavra por palavra espada a espada.
Lisboa tem um cravo em cada mão
tem camisas que abril desabotoa
mas em maio Lisboa é uma canção
onde há versos que são cravos vermelhos
Lisboa que ninguém verá de joelhos.
Lisboa a desditosa a violada
a exilada dentro de Lisboa.
E há um braço que voa há uma espada.
E há uma madrugada azul e triste
Lisboa que não morre e que resiste.
... poema “Lisboa perto e longe”, de Manuel Alegre
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