sábado, 4 de março de 2023

Sara Correia ... porquê do fado?

 
















Não me perguntes o porquê do fadoPergunta ao fado o que é que ele viu em mimQue me encontrou e andámos de braço dadoDesde que sou gente foi assim
Não me perguntes porque é que eu o escolhiSe o coração já lhe falava e eu ouviaEra a canção das ruas onde cresciQue embalava o canto da minha agonia
Não me perguntes o porquê do fadoNão me perguntes se estou decididaNão é escolha, é ser, é estar marcadoPerguntas-me o porquê do fadoPerguntas-me o porquê da vida














Não me perguntes se me pesa a tristezaDestes versos e poemas tão antigosÉ uma canção que é oração, é uma rezaQue faz dos meus demónios meus amigos
Não me perguntes o porquê de querer ficarSe o mundo inteiro começou e acaba aquiFoi ele quem me viu e foi buscarNas outras vidas que sem saber já vivi














Não me perguntes o porquê do fadoNão me perguntes se estou decididaNão é escolha, é ser, é estar marcadoPerguntas-me o porquê do fadoPerguntas-me o porquê da vida
Não me perguntes o porquê do fadoNão me perguntes se estou decididaNão é escolha, é ser, é estar marcadoPerguntas-me o porquê do fadoPerguntas-me o porquê da vida


                                                                                            Letra e Música: Carolina Deslandes












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sexta-feira, 20 de janeiro de 2023

What’s in a name ...

 














Pergunto: o que há num nome?

 

De que espessura é feito se atendido,

que guerras o amparam,

paralelas?

 

Linhagens, chãos servis,

raças domadas por algumas sílabas,

alicerces da história nas leis que se forjaram

a fogo e labareda?

 

Extirpado o nome, ficará o amor,

ficarás tu e eu – mesmo na morte,

mesmo que em mito só

 

E mesmo o mito (escuta!),

a nossa história breve

que alguns lerão como matéria inerte,

ficará para o sempre do humano

 

E outros

o hão-de sempre recolher,

quando o seu século dele carecer

E, meu amor, força maior de mim,

seremos para eles como a rosa –

 

Não, como o seu perfume:

 

Ingovernado                     livre

 

Poema “What’s in a name”, no livro com o mesmo nome, de Ana Luísa Amaral 



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Pega em mim ...

 

Pega em mim
Leva-me ao jardim
Mostra-me uma flor
Uma verde esperança

Dá-me a mão
Canta uma canção
Mostra que aonde for
Vou ser criança







Márcia in “As estradas são para ir”





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Planta alta e trigueira ...

 















As plantas acenavam ao vento de agosto, nas suas hastes fina e verdes. E disse-me a mais faladora de todas, alta e trigueira:

– Dás-me dez anos da tua vida?

Eu só tinha cinco anos, pus-me a contar pelos dedos, vi que ia ficar com muito pouco.

– Dou – disse eu.

E ainda hoje, que nunca mais soube de mim, vou com o vento, balouçando. E agosto é todo o ano para mim.

 

Ruy Belo poema “Planta alta e trigueira”, in “Homem de Palavra[s]”




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domingo, 15 de janeiro de 2023

Trouxe-te um poema...

 



O PÃO


Há pessoas que amam

com os dedos todos sobre a mesa.

Aquecem o pão com o suor do rosto

e quando as perdemos estão sempre

ao nosso lado.

Por enquanto não nos tocam:

a lua encontra o pão caiado que comemos

enquanto o riso das promessas destila

na solidão da erva.

Estas pessoas são o chão

onde erguemos o sol que nos falhou os dedos

e pôs um fruto negro no lugar do coração.~

Estas pessoas são o chão

que não precisa de voar.

Rui Costa, Mike Tyson Para Principiantes

quarta-feira, 14 de dezembro de 2022

22ª Corrida Fotográfica de Portimão – Edição Online

Apesar de em 2022 a Corrida Fotográfica de Portimão ter voltado aos seus moldes de maratona presencial, na sequência das experiências realizadas durante o período de pandemia, este ano mantiveram a realização de uma corrida online, a que chamaram Edição Especial – “Vida”, em que foi proposto aos concorrentes do mundo inteiro que fotografassem os seguintes quatro temas:

Tema 1: “A Incerteza da Vida”

Tema 2: “Resistência, Resiliência e Sobrevivência”

Tema 3: “ Será isto que me faz feliz?”

Tema 4: “Um Frágil Património”


Foi com estas imagens que, nesta corrida especial, consegui o Prémio Especial do Júri:





Tema 1: “A Incerteza da Vida”







  Tema 2: “Resistência, Resiliência e Sobrevivência”













Tema 3: “ Será isto que me faz feliz?”







Tema 4: “Um Frágil Património”






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22ª Corrida Fotográfica de Portimão

Cá estou de novo para publicar as imagens que me permitiram ganhar mais um 1º prémio neste evento fotográfico, que, depois da pandemia, voltou finalmente ao velho formato, com a presença dos fotógrafos a percorrer os vários passos da corrida para fotografar os diversos temas propostos que este ano foram:

Tema 1: “Entre o rio e a terra firme”

Tema 2: “Vidas de trabalho”

Tema 3: “Ruas que contam histórias”

Tema 4: “Um património natural”

Tema 5: “Do antigo se faz novo”

Tema 6: “À descoberta do interior”

Tema 7: “Museu em festa”

Tema 8: “Ao entardecer”


Então este ano foi assim:


Tema 1: “Entre o rio e a terra firme”






Tema 2: “Vidas de trabalho”


















Tema 3: “Ruas que contam histórias”




Tema 4: “Um património natural”






Tema 5: “Do antigo se faz novo”




Tema 6: “À descoberta do interior”


Tema 7: “Museu em festa”
























Tema 8: “Ao entardecer”






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quinta-feira, 12 de maio de 2022

... Lisboa ...

 


Lisboa chora dentro de Lisboa

Lisboa tem palácios sentinelas.

E fecham-se janelas quando voa

nas praças de Lisboa — branca e rota

a blusa de seu povo — essa gaivota.

 

Lisboa tem casernas catedrais

museus cadeias donos muito velhos

palavras de joelhos tribunais.

Parada sobre o cais olhando as águas

Lisboa é triste assim cheia de mágoas.

 

Lisboa tem o sol crucificado

nas armas que em Lisboa estão voltadas

contra as mãos desarmadas — povo armado

de vento revoltado violas astros

— meu povo que ninguém verá de rastos.

 

Lisboa tem o Tejo tem veleiros

e dentro das prisões tem velas rios

dentro das mãos navios prisioneiros

ai olhos marinheiros — mar aberto

— com Lisboa tão longe em Lisboa tão perto.

 

Lisboa é uma palavra dolorosa

Lisboa são seis letras proibidas

seis gaivotas feridas rosa a rosa

Lisboa a desditosa desfolhada

palavra por palavra espada a espada.

 

Lisboa tem um cravo em cada mão

tem camisas que abril desabotoa

mas em maio Lisboa é uma canção

onde há versos que são cravos vermelhos

Lisboa que ninguém verá de joelhos.

 

Lisboa a desditosa a violada

a exilada dentro de Lisboa.

E há um braço que voa há uma espada.

E há uma madrugada azul e triste

Lisboa que não morre e que resiste.

 














... poema “Lisboa perto e longe”, de Manuel Alegre





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