segunda-feira, 18 de novembro de 2013
segunda-feira, 11 de novembro de 2013
Fado
Hoje este é o som, esta é a voz, este é o poema ...
Rendo-me!
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Rendo-me!
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domingo, 10 de novembro de 2013
Carta de condução
Já tive um carro da cor dos teus olhos. Deixava-o
estacionado à frente de prostíbulos onde alugava
quartos com vista sobre o quintal dos vizinhos.
Esperava por semáforos, sem saber que esperava
apenas por ti. No auto-rádio, a tua voz cantava
fado demasiado velho até para a minha mãe.
A segunda circular era uma manifestação pacífica
de pára-brisas, as palavras de ordem eram simples
porque ainda não sabia que já me tinhas escolhido.
Quando os outros rapazes folheavam revistas de
carros nas aulas de matemática, eu apenas me
interessava por unicórnios e farmácias abandonadas.
Agora, os meus olhos contam quilómetros nos teus,
procuro papéis entre os papéis do guarda-luvas e
tenho tanto medo que me vendas em segunda mão.
José Luis Peixoto, in
Gaveta de Papéis
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Mário Viegas
António Mário Lopes Pereira Viegas nasceu em Santarém, em 10
de Novembro de 1948.
Hoje são 10 de Novembro de 2013.
Apesar de já não nos
encantar com as suas récitas desde 1996, hoje é dia de aniversário deste enorme ribatejano ...
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Arfa arqueja moleja aleija ...
Desmama-te desanca-te desbunda-te
Não se pode morar nos olhos de um gato
Beija embainha grunhe geme
Não se pode morar nos olhos de um gato
Serve-te serve sorve lambe trinca
Não se pode morar nos olhos de um gato
Queixa-te coxa-te desnalga-te desalma-te
Não se pode morar nos olhos de um gato
Arfa arqueja moleja aleija
Não se pode morar nos olhos de um gato
Ferra marca dispara enodoa
Não se pode morar nos olhos de um gato
Faz festa protesta desembesta
Não se pode morar nos olhos de um gato
Arranha arrepanha apanha espanca
Não se pode morar nos olhos de um gato
("Poema do Desamor" de Alexande O'Neill)
sexta-feira, 8 de novembro de 2013
Samuel Úria
… choramos os nossos risos
fados muito imprecisos
rimo-nos dos nossos ais
fados pouco casuais
ou não …
(Barbarella e Barba Rala)
por agora é isto que ando a ouvir, deliciado …
... fala contra esse enredo:
pequeno mundo, medra-se o medo.
espalha, não é segredo.
faz as brasas, alastra-as, nunca foi cedo.
se não falas irão cantar
pedra Rolantes.
se tu paras irão marchar
pedras cantantes.
(Espalha Brasas)
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e a homenagem ao avô “Armelim
de Jesus”
… severo quando ser severo
é ser-se acertado.
tão recto que um fio de prumo
fica embaraçado.
deu aos seus braços a forma de quem abriga;
deu o seu lugar a todos menos à fadiga.
vestiu os pés de toda a vila,
mas vestiu também o chão
com essas grandes pegadas do seu coração.
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quarta-feira, 6 de novembro de 2013
O beijo segundo Alfred Eisenstaedt
Há fotos que todos já vimos … algures … mas vimos …
E esta é uma delas.
A fotografia foi tirada por Alfred Eisenstaedt a 14 de
Agosto de 1945 em Times Square, Nova Iorque (que saudades, Deus meu!)
Certamente já ouviram falar que a foto assinala o momento em
que o Japão anunciou a sua rendição, pondo assim fim à Segunda Guerra Mundial.
Porque trago eu aqui este ícone do romantismo moderno?
É que Alfred Eisenstaedt perdeu as anotações sobre quem eram
as pessoas fotografadas. E só recentemente foi possível voltar a juntar o
marinheiro e a enfermeira.
Sabe-se agora (diz-se na revista Sábado) que ela se chama Greta Zimmer Friedman e ele George
Mendonsa. Ou será Jorge Mendonça? É que ele é português, descendente de
madeirenses.
Os jovens não se conheciam. George tinha chegado do Pacífico
há pouco tempo e, quando ouviu a notícia do final da guerra, começou a correr
por Times Square. Quando viu a bela enfermeira não resistiu e beijou-a.
E foi aí que nasceu a obra de arte … que afinal tem uma parte portuguesa.Ou então nada disto é verdade, até porque há uma dezena de homens e umas quantas enfermeiras que reclamam (ou reclamaram) ser os beijadores …
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quinta-feira, 31 de outubro de 2013
Lou Reed. O fim das ressacas ...
Luís Fernando Ver!ssimo, numa das histórias que ontem me fez
rir quando, mergulhado na multidão que me acompanhava no interior do
Metropolitano, lia um dos seus livros, descreve vários dos métodos que usava na juventude para evitar a
ressaca. Um deles era:
(…)
O Sumo de uma batata, sementes de girassol e folhas de
gelatina verde dissolvidas em querosene - Misturava-se tudo num prato pirex
forrado com velhos cartões do sabonete Eucalol. Embebia-se um algodão na testa
e deitava-se com os pés na direção da ilha de Páscoa. Ficava-se imóvel durante
três dias, no fim dos quais o tempo já teria curado a ressaca de qualquer
maneira.
(…)
(in "Ed Mort e outras histórias")
Quando este blog era vivo, o meu amigo António costumava
dizer que eu passava o tempo a escrever sobre mortos. Nem de propósito, por estes
dias houve mais um dos que muitos de nós idolatrámos que se cansou e resolveu ir colaborar no diálogo entre Jorge Luis Borges e Benny Goodman (para
quem não perceber recomendo uma leitura do post anterior "A música é um caminho, com começo, meio e fim. E o jazz é um atalho secreto"). O fígado disse-lhe que
estava farto de tanto dia feliz e dos posteriores tratamentos para a ressaca. E
lá foi ele...
Por isso, António, embora eu saiba que não vais ler isto, cá estou, não só a falar de ti, como a recordar mais UM que nos deixou …
Por isso, António, embora eu saiba que não vais ler isto, cá estou, não só a falar de ti, como a recordar mais UM que nos deixou …
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quarta-feira, 30 de outubro de 2013
terça-feira, 29 de outubro de 2013
A música é um caminho, com começo, meio e fim. E o jazz é um atalho secreto.
Conversa imaginada por Luis Fernando Verissimo (sem
acentos!) ocorrida entre Jorge Luis (também sem acento!) Borges e Benny Goodman
quando, depois de terem morrido quase ao mesmo tempo em junho de 1986,
esbarraram um no outro na chegada:
(…)
- A música sempre me pareceu a forma mais árida de retórica.
A literatura +e um labirinto sem saída. A música não tem nem entrada. É uma
geometria inútil.
- E o tango?
- O tango não é nem literatura nem música. É o contrário.
- A música é um caminho, com começo, meio e fim. E o jazz é
um atalho secreto.
(…)
(in “Jazz - Crônicas”)
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Parker's Mood - Charlie Parker
segunda-feira, 28 de outubro de 2013
terça-feira, 22 de outubro de 2013
Maratona Fotográfica FNAC Lisboa 2013 – “O Escritor e a Cidade” Tema 1
A melhor foto do local
onde, em 1888, nasceu o autor deste verso:
"Todo o teatro é
o meu quintal, a minha infância
Está em todos os lugares e a bola vem a tocar música,
Uma música triste e vaga que passeia no meu quintal
Vestida de cão verde tornando-se jockey amarelo..."
Está em todos os lugares e a bola vem a tocar música,
Uma música triste e vaga que passeia no meu quintal
Vestida de cão verde tornando-se jockey amarelo..."
Excerto do poema “O Maestro Sacode a
Batuta”, de Fernando Pessoa
Local: Largo de São Carlos
(Fernando
Pessoa nasceu no Largo de São Carlos, n.º 4-4.º Esq.)
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Maratona Fotográfica FNAC Lisboa 2013 – “O Escritor e a Cidade” Tema 2
A melhor foto do local de onde partiu, em 1553, o autor deste verso:
"Que vençais no
Oriente tantos Reis,
Que de novo nos deis da Índia o Estado,
Que escureçais a fama que hão ganhado
Aqueles que a ganharam de infiéis;"
Que de novo nos deis da Índia o Estado,
Que escureçais a fama que hão ganhado
Aqueles que a ganharam de infiéis;"
Excerto do poema “Que vençais no Oriente tantos Reis”
de Luís Vaz de Camões
Local: Belém
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