terça-feira, 7 de outubro de 2014

Wild Iron



Sea go dark, dark with wind,
Feet go heavy, heavy with sand,
Thoughts go wild, wild with the sound
Of iron on the old shed swinging, clanging:
Go dark, go heavy, go wild, go round,
               Dark with the wind,
               Heavy with the sand,
Wild with the iron that tears at the nail
And the foundering shriek of the gale.

                                       Allen Curnow  


Quinta dos Vales III

   

       


segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Quinta dos Vales II





... a arte de fotografar esculturas com um copo de vinho na mão ...


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Quinta dos Vales


 ... a arte de fotografar esculturas com um copo de vinho na mão ...





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domingo, 28 de setembro de 2014

Samuel, Samuel Úria ... má poesia feia ...



Dizem que não há mulher feia
Também não há má poesia.
Que a natureza a tudo premeia
Não há menina que nasça gentia,
Nem palavra que nasça alheia.


De quem critica está a vida cheia.
E criticar é que é vida vazia.


Mas cá para mim...
Mas cá para mim... isso são só desculpas de quem não se depila,
O buço e o soneto, o alexandrino e a axila.
Cá para mim isso são só desculpas, para quem tão mal se andraja,
Com calças largas de homem, a escrever coisas de gaja
 

domingo, 21 de setembro de 2014

Méééé



IX

Sou um guardador de rebanhos.
O rebanho é os meus pensamentos
E todos os meus pensamentos são todos sensações.
Penso com os olhos e com os ouvidos
E com as mãos e os pés
E com o nariz e a boca.

Pensar uma flor é vê-la e cheirá-la
E comer um fruto é saber-lhe o sentido.

Por isso quando num dia de calor
Me sinto triste de gozá-lo tanto,
E me deito ao comprido na erva,
E fecho os olhos quentes,
Sinto todo o meu corpo deitado na realidade,
Sei a verdade e sou feliz.

Alberto Caeiro, O Guardador de Rebanhos


quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Maratona Fotográfica FNAC Lisboa 2014


Lisboa é grande, luminosa, bonita e muito fotogénica. Vaguear pela cidade com temas específicos para fotografar é uma aventura.

A lista dos artistas vencedores da edição de 2014 da Maratona Fotográfica FNAC Lisboa pode ser consultada AQUI, sítio onde as suas fotografias podem ser apreciadas.

Para quem tiver curiosidade, deixo aqui as obras de pouca arte que produzi nessa, ainda assim, memorável Maratona:


 Tema 1 - Pelo Tejo vai-se para o mundo


 Tema 2 - Festa brava


Tema 3 - Tema livre


 Tema 4 - 130 Anos 
(O título refere-se ao aniversário do Zoo de Lisboa)
[A foto escolhida não foi esta mas, sem autorização da Milou (que tirou esta foto), não a posso publicar por aqui!]


 Tema 5 - O livro em festa


 Tema 6 – Contrastes


Tema 7 - Lisboa em festa

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quarta-feira, 10 de setembro de 2014

A brincar com a Lua


Ó lua que vais tão alta
esbelta como um chaparro
Esses teus olhos, menina,
são como as rodas dum carro.




Ó lua que vais tão alta,
redonda como um tamanco.
Ó Maria traz cá a escada,
Qu’eu não chego lá c'o banco.



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sábado, 30 de agosto de 2014

Um pato com uma pata ...



Quén! Quen! Quén! Quen!
Quén! Quen! Quén! Quen!
Quén! Quen! Quén! Quen!
Quén! Quen! Quén! Quen!

Lá vem o Pato
Pata aqui, pata acolá
Lá vem o Pato
Para ver o que é que há

Lá vem o Pato
Pata aqui, pata acolá
Lá vem o Pato
Para ver o que é que há

O Pato pateta
Pintou o caneco
Surrou a galinha
Bateu no marreco
Pulou do poleiro
No pé do cavalo
Levou um coice
Criou um galo

Comeu um pedaço
De jenipapo
Ficou engasgado
Com dor no papo
Caiu no poço
Quebrou a tigela
Tantas fez o moço
Que foi pra panela

Quá! Quá! Quá! Quá Quá!
Quá! Quá! Quá! Quá Quá!
Quá! Quá! Quá! Quá Quá!


Vinicius de Moraes (O Pato)

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quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Por este caminho eu vou ...



Ó Portugal, se fosses só três sílabas,
linda vista para o mar,
Minho verde, Algarve de cal,
jerico rapando o espinhaço da terra,
surdo e miudinho,
moinho a braços com um vento
testarudo, mas embolado e, afinal, amigo,
se fosses só o sal, o sol, o sul,
o ladino pardal,
o manso boi coloquial,
a rechinante sardinha,
a desancada varina,
o plumitivo ladrilhado de lindos adjectivos,
a muda queixa amendoada
duns olhos pestanítidos,
se fosses só a cegarrega do estio, dos estilos,
o ferrugento cão asmático das praias,
o grilo engaiolado, a grila no lábio,
o calendário na parede, o emblema na lapela,
ó Portugal, se fosses só três sílabas
de plástico, que era mais barato!
*
Doceiras de Amarante, barristas de Barcelos,
rendeiras de Viana, toureiros da Golegã,
não há “papo-de-anjo” que seja o meu derriço,
galo que cante a cores na minha prateleira,
alvura arrendada para o meu devaneio,
bandarilha que possa enfeitar-me o cachaço.
Portugal: questão que eu tenho comigo mesmo,
golpe até ao osso, fome sem entretém,
perdigueiro marrado e sem narizes, sem perdizes,
rocim engraxado,
feira cabisbaixa,
meu remorso,
meu remorso de todos nós...

Alexandre O'Neill 
(poema “Portugal”)

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terça-feira, 26 de agosto de 2014

À nora ...



(Na nora do quintal da minha casa 
O burro anda à roda, anda à roda, 
E o mistério do mundo é do tamanho disto. 
Limpa o suor com o braço, trabalhador descontente. 
A luz do sol abafa o silêncio das esferas 
E havemos todos de morrer, 
Ó pinheirais sombrios ao crepúsculo, 
Pinheirais onde a minha infância era outra coisa 
Do que eu sou hoje...) 

Álvaro de Campos
(excerto da Ode Triunfal)

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sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Uma foto … e um poema …







































Ó solidão! À noite, quando, estranho,
Vagueio sem destino, pelas ruas,
O mar todo é de pedra... E continuas.
Todo o vento é poeira... E continuas.
A Lua, fria, pesa... E continuas.
Uma hora passa e outra... E continuas.
Nas minhas mãos vazias continuas,
No meu sexo indomável continuas,
Na minha branca insónia continuas,
Paro como quem foge. E continuas.
Chamo por toda a gente. E continuas.
Ninguém me ouve. Ninguém! E continuas.
Invento um verso... E rasgo-o. E continuas.
Eterna, continuas...
Mas sei por fim que sou do teu tamanho!

Pedro Homem de Mello


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Vhils & Pixelpancho



Alguma da boa arte urbana assenta bem na bonita Lisboa…

(vejam o vídeo AQUI


quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Nuvem



O interior do corpo como um fruto do silêncio ou
como um sopro imóvel, ainda um frémito mas tão
tranquilo no seu sono que a palavra se suspende
como uma nuvem à beira do irrespirável.

António Ramos Rosa, o que não pode ser dito

domingo, 27 de julho de 2014

Quero emagrecer, mas como. (pensamento do Dalai Lima)



"In Vino Veritas, Aqua In Sanitas"


... mais um profundo pensamento do Dalai Lima
Se ainda não conhecem o Dalai Lima, passem pelo seu Blog ou apreciem o livro dos seu pensamentos no original livro publicado pela Abismo




Vão ver que não se arrependem ...




Fui à missa das sete, comigo oito.

Falava pelos cotovelos. De manga curta era  especialmente insuportável.

"Isto só rezando, mas a quem?" - DEUS

"Nunca tenho nada que vestir, é sempre a mesma parra!" - EVA

Manoel de Oliveira encontrado vivo em casa.

Dalila ficou sem sanção.

A justiça portuguesa prescreve direito por linhas tortas. 

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Celebração da Cidade do México



I
Estende-se a cidade em círculos de esmeralda:
extraordinária México, oh plumagem ardente.
Por toda a parte passam em barcos os guerreiros,
através da nação, como bruma florida.

Ó ser que dás a vida, aqui é o teu lugar.
Aqui é que se ergue o teu grande louvor,
através da nação, como bruma de pétalas.

Brancos salgueiros e gladíolos brancos - cidade do México.
Desdobra as tuas asas, ó garça-real azul.

Desdobra as tuas asas e a tua cauda redonda,
porque vives na cidade como uma verdade profunda,
como neve florida.



II
Reina a cidade entre nenúfares de esmeralda,
sob a esmeralda do resplendor solar:
e os príncipes regressam como neve florida.

Ó ser que dás a vida, aqui é a tua casa.
Aqui é que ressoa o teu grande louvor.

Sobre os brancos salgueiros e os ciprestes brancos,
passas voando, ó garça-real azul.
Através da nação desdobras as asas soberbas,
a tua cauda redonda.

Que viva para sempre nesta cidade profusa
o deus em quem se apoiam
o alto céu, a terra funda - ele, o rei
da vossa mortal tristeza.

E erguem-se os gritos antes da batalha.
O guerreiro faz crescer a aurora
através da cidade florida.

E todos regressam sob os leques de plumas,
sob as caudas abertas de assombrosas pedrarias.
- Nas mãos do deus,
um suspiro de tristeza dobra o guerreiro
como um arco.

Herberto Helder, O Bebedor Nocturno (poemas mudados para português)



terça-feira, 1 de julho de 2014

Depois do cosplay ... verdadeiras meninas do Japão!





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Troféu



Como quem percorre uma costa
maravilhado com a abundância do mar,
recompensado pela luz e pelo pródigo espaço,
eu fui o espectador da tua beleza
durante um longo dia.
Despedimo-nos ao anoitecer
e em gradual solidão
ao voltar pela rua cujos rostos ainda te conhecem,
a minha felicidade ensombrou-se, pensando
que de tão nobre acervo de memórias
iriam perdurar escassamente uma ou duas
para decoro da alma
na imortalidade do seu rumo.

Jorge Luis Borges, Fervor de Buenos Aires