terça-feira, 19 de maio de 2015

No País das Maravilhas

(pequeno intervalo nos caretos, caretas e outras caras bonitas... com convidado especial)




"(...)
The chief difficulty Alice found at first was in managing her flamingo: she succeeded in getting its body tucked away, comfortably enough, under her arm, with its legs hanging down, but generally, just as she had got its neck nicely straightened out, and was going to give the hedgehog a blow with its head, it would twist itself round and look up in her face, with such a puzzled expression that she could not help bursting out laughing; and when she had got its head down, and was going to begin again, it was very provoking to find that the hedgehog had unrolled itself, and was in the act of crawling away (...) and, as the doubled-up soldiers were always getting up and walking off to other parts of the ground, Alice soon came to the conclusion that it was a very difficult game indeed."

Lewis Carroll, Alice's Adventures in Wonderland


segunda-feira, 18 de maio de 2015

Máscaras, caretos, caretas e gente bonita 12




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Máscaras, caretos, caretas e gente bonita 11




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domingo, 17 de maio de 2015

Máscaras, caretos, caretas e gente bonita 10




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Máscaras, caretos, caretas e gente bonita 9




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sábado, 16 de maio de 2015

Máscaras, caretos, caretas e gente bonita 8




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Máscaras, caretos, caretas e gente bonita 7




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sexta-feira, 15 de maio de 2015

Máscaras, caretos, caretas e gente bonita 6



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Máscaras, caretos, caretas e gente bonita 5



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quinta-feira, 14 de maio de 2015

Máscaras, caretos, caretas e gente bonita 4




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Máscaras, caretos, caretas e gente bonita 3




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quarta-feira, 13 de maio de 2015

Máscaras, caretos, caretas e gente bonita 2




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terça-feira, 12 de maio de 2015

Máscaras, caretos, caretas e gente bonita 1




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quinta-feira, 7 de maio de 2015

Et in Arcadia Ego




"Oxford, in those days, was still a city of aquatint. In her spacious and quiet streets men walked and spoke as they had done in Newman's day; her autumnal mists, her grey springtime and the rare glory of her summer days - such as that day - when the chestnut was in flower and the bells rang out high and clear over her gables and cupolas, exhaled the soft airs of centuries of youth. It was this cloistral hush wich gave our laughter ist resonance, and carried it still, joyously, over the intervening clamor."


"The bells of St. Mary's were chiming nine; we escaped collision with a clergyman, black-straw-hatted, white-bearded, pedaling quietly down the wrong side of the High Street, crossed Carfax, passed the station, and were soon in open country on the Botley Road; open country was easily reached in those days."

Evelyn Waugh, Brideshead Revisited


quarta-feira, 6 de maio de 2015

... eu sobrevivi ...


Era primavera, eu liguei pra ela, pra falar das belas flores que eu comprei
sem nenhum apreço, perdi o endereço, já nem sei o preço que eu ali paguei
mesmo assim perdido, um pouco aturdido, ali estarrecido a ela entreguei
e saí sozinho, pelo meu caminho, lembrando o carinho que eu não ganhei.


era um outono, eu no abandono, não me via dono da minha alegria
fiz um julgamento, no meu pensamento, que outra vez sedento eu não mais seria
eu saí pra fora, o coração agora, não contava a hora, da noite e do dia
como a moinha, espalhada sozinha, e em cada folhinha que no chão caía.


chegou o verão, o meu coração, teve a sensação de querer voar
naquela aventura, deixar toda agrura, e de alma pura o mundo ganhar
fiz minha bagagem, comprei uma passagem, no mundo selvagem eu fui me lançar
mas deu tudo errado, eu fiquei de lado, e agora parado sem saber voltar.


enfim, este inverno, que parece eterno, não me dá um terno para me vestir
tô na beira rio, com fome e com frio, meu fone sumiu e eu não mais vi
quero ir embora, me levar pra fora, mas não vejo agora razão de existir
não aos olhos teus, sim as mãos de Deus, nos sentidos meus... eu sobrevivi.


Poema de Ezhequiel Águia Queiróz


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sábado, 25 de abril de 2015

A Rapariga do País de Abril


Habito o sol dentro de ti
descubro a terra aprendo o mar
rio acima rio abaixo vou remando
por esse Tejo aberto no teu corpo.

E sou metade camponês metade marinheiro
apascento meus sonhos iço as velas
sobre o teu corpo que de certo modo
é um país marítimo com árvores no meio.

Tu és meu vinho. Tu és meu pão.
Guitarra e fruta. Melodia.
A mesma melodia destas noites
enlouquecidas pela brisa no País de Abril.

E eu procurava-te nas pontes da tristeza
cantava adivinhando-te cantava
quando o País de Abril se vestia de ti
e eu perguntava atónito quem eras.

Por ti cheguei ao longe aqui tão perto
e vi um chão puro: algarves de ternura.
Quando vieste tudo ficou certo
e achei achando-te o País de Abril.

Manuel Alegre, in "30 Anos de Poesia"




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SEMPRE!




Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo

Sophia de Mello Breyner Andresen, in 'O Nome das Coisas'


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sexta-feira, 24 de abril de 2015

e trago o mês de Abril a voar dentro do peito


Eu sou português
aqui
em terra e fome talhado
feito de barro e carvão
rasgado pelo vento norte
amante certo da morte
no silêncio da agressão.

Eu sou português
aqui
mas nascido deste lado
do lado de cá da vida
do lado do sofrimento
da miséria repetida
do pé descalço
do vento.

Nasci
deste lado da cidade
nesta margem
no meio da tempestade
durante o reino do medo.
Sempre a apostar na viagem
quando os frutos amargavam
e o luar sabia a azedo.

Eu sou português
aqui
no teatro mentiroso
mas afinal verdadeiro
na finta fácil
no gozo
no sorriso doloroso
no gingar dum marinheiro.

Nasci
deste lado da ternura
do coração esfarrapado
eu sou filho da aventura
da anedota
do acaso
campeão do improviso,
trago as mão sujas do sangue
que empapa a terra que piso.

Eu sou português
aqui
na brilhantina em que embrulho,
do alto da minha esquina
a conversa e a borrasca
eu sou filho do sarilho
do gesto desmesurado
nos cordéis do desenrasca.

Nasci
aqui
no mês de Abril
quando esqueci toda a saudade
e comecei a inventar
em cada gesto
a liberdade.

Nasci
aqui
ao pé do mar
duma garganta magoada no cantar.
Eu sou a festa
inacabada
quase ausente
eu sou a briga
a luta antiga
renovada
ainda urgente.

Eu sou português
aqui
o português sem mestre
mas com jeito.
Eu sou português
aqui
e trago o mês de Abril
a voar
dentro do peito.

Poema de José Fanha


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segunda-feira, 20 de abril de 2015

Esta gente



Esta gente cujo rosto
Às vezes luminoso
E outras vezes tosco


Ora me lembra escravos
Ora me lembra reis 


Faz renascer meu gosto
De luta e de combate
Contra o abutre e a cobra
O porco e o milhafre 


Pois a gente que tem
O rosto desenhado
Por paciência e fome
É a gente em quem
Um país ocupado
Escreve o seu nome 


E em frente desta gente
Ignorada e pisada
Como a pedra do chão
E mais do que a pedra
Humilhada e calcada 


Meu canto se renova 
E recomeço a busca 
De um país liberto 
De uma vida limpa 
E de um tempo justo



Sophia de Mello Breyner Andresen, in "Geografia"


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sábado, 21 de março de 2015

Muro das lamentações


Uma jornalista da CNN ouviu falar de um judeu muito velhinho que todos os dias, duas vezes por dia, ia fazer as suas orações ao Muro das Lamentações e decidiu entrevistá-lo.
Pôs-se ao pé do Muro à espera e passado um bocado lá apareceu ele a andar com dificuldade, em direção ao sítio onde costumava rezar.
Esperou uns 45 minutos que o velhinho acabasse de rezar e quando ele voltava, vagarosamente, apoiado na sua bengala, aproximou-se para a entrevista.
- Desculpe, eu chamo-me Rebecca Smith, sou repórter da CNN e gostava de o entrevistar. Como é que se chama?
- Morris Feldman.
- Senhor Feldman, há quanto tempo vem ao Muro rezar?
- Há uns sessenta anos.
- Sessenta anos! Isso é incrível! E o que é que o senhor pede nas suas orações?
- Peço que os cristãos, os judeus e os muçulmanos vivam em paz. Peço que todas as guerras e todo o ódio terminem. Peço que as crianças cresçam em segurança e se tornem adultos responsáveis. Peço amor entre os homens.
- E faz isso há sessenta anos, todos os dias! Como é que o senhor se sente?
- Sinto-me como se estivesse a falar para uma parede...



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